(Luz quente. Som de ondas ao longe. MARIA segura um vaso pequeno, com uma orquídea cujo pétala tem um remendo — uma mancha branca costurada com linha azul.)

(MARIA toca a pétala uma última vez. Puxa o fio azul entre os dedos e, por um instante, o tecido parece pulsar como pele antiga. Ela solta o fio; ele volta ao lugar.)

ORQUÍDEA (voz suave, sem corpo visível) Chamas têm pressa; remendos aprendem a esperar.

MARIA (baixinho) Dez segundos. Foi quanto eu esperei antes de decidir voltar.

ORQUÍDEA Crescer é aceitar que há pontos que precisam de sutura. E que a sutura pode virar desenho.

MIGUEL Então deixa que Canidelo te reconheça primeiro. Depois, tu reconheces a ti.

(MARIA coloca o vaso na soleira. O sol toca a pétala remendada; o fio azul brilha por um instante.)